Leituras

Obra do encontro de novembro:

Pequeno Manual Antirracista – Djamila Ribeiro (Brasil)

Informações sobre a autora: Djamila Taís Ribeiro dos Santos (Santos, 1 de agosto de 1980) é uma filósofa, feminista negra, escritora e acadêmica brasileira. É pesquisadora e mestra em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Tornou-se conhecida no país por seu ativismo na internet. É colunista do jornal Folha de S. Paulo. Djamila Ribeiro é uma figura reconhecida no ativismo negro no Brasil, com uma presença marcante nas redes sociais. Ela tem sido chamada de “filósofa pop” devido a sua participação em diversos meios de comunicação. Em 2016, Ribeiro assumiu o cargo de secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo. Seu livro “Pequeno Manual Antirracista” foi o mais vendido no Brasil em 2020. Em 2021, ela recebeu o prêmio Global Good no BET Awards, tornando-se a primeira brasileira a ser homenageada nesta categoria. Ela também foi incluída na lista da BBC das 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo. 

Sobre: Neste pequeno manual, a filósofa e ativista Djamila Ribeiro trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em onze capítulos curtos e contundentes, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas. Já há muitos anos se solidifica a percepção de que o racismo está arraigado em nossa sociedade, criando desigualdades e abismos sociais: trata-se de um sistema de opressão que nega direitos, e não um simples ato de vontade de um sujeito. Reconhecer as raízes e o impacto do racismo pode ser paralisante. Afinal, como enfrentar um monstro desse tamanho? Djamila Ribeiro argumenta que a prática antirracista é urgente e se dá nas atitudes mais cotidianas. E mais ainda: é uma luta de todas e todos.

Temas: racismo estrutural, branquitude, formas de combate ao racismo, educação antirracista.

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Obra do encontro de março:

O pacto da branquitude – Cida Bento (Brasil)

Sobre: Neste livro poderoso, Cida Bento ― eleita em 2015 pela The Economist uma das cinquenta pessoas mais influentes do mundo no campo da diversidade ― denuncia e questiona a universalidade da branquitude e suas consequências nocivas para qualquer alteração substantiva na hierarquia das relações sociais. Diante de dezenas de recusas em processos seletivos, Cida Bento identificou um padrão: por mais qualificada que fosse, ela nunca era a escolhida para as vagas. O mesmo ocorria com seus irmãos, que, como ela, também tinham ensino superior completo. Por outro lado, pessoas brancas com currículos equivalentes ― quando não inferiores ― eram contratadas. Em suas pesquisas de mestrado e doutorado, a autora se dedicou a investigar esse modelo, que se repetia nas mais diversas esferas corporativas, e a desmistificar a falácia do discurso meritocrático. O que encontrou foi um acordo não verbalizado de autopreservação, que atende a interesses de determinados grupos e perpetua o poder de pessoas brancas. A esse fenômeno, Cida Bento deu o nome de “pacto narcísico da branquitude”. Neste livro, a cofundadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) reúne sua experiência para apresentar evidências desse acordo tácito e nos convidar a deslocar nosso olhar para aqueles que, a fim de se manter no centro, impelem todos os outros à margem.

Temas: racismo; branquitude.

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Próximas obras:

Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola – Maya Angelou (EUA)

Sobre: Este clássico da literatura americana, Maya Angelou explora sua infância e juventude no sul dos EUA, abordando as dificuldades enfrentadas por uma jovem negra em uma sociedade profundamente racista e segregacionista. A obra é um testemunho sobre a resiliência diante da discriminação racial.

Temas: Racismo, segregação, identidade, superação pessoal.

 

Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie (Nigéria/EUA)

Sobre: Este romance conta a história de Ifemelu, uma jovem nigeriana que vai estudar nos Estados Unidos e enfrenta as dificuldades de ser uma mulher negra em um país estrangeiro. Adichie aborda as complexidades do racismo em diferentes contextos, destacando a experiência de imigrantes e o impacto da cor da pele em diferentes sociedades.

Temas: Racismo, identidade, imigração, preconceito, cultura.

 

Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada – Carolina Maria de Jesus (Brasil)

Sobre: Um marco na literatura brasileira, esta obra é o diário de Carolina Maria de Jesus, uma catadora de papel que vive na favela e narra sua luta diária contra a pobreza, o racismo e a marginalização. Seu relato expõe a dura realidade de ser mulher e negra em uma sociedade desigual.

Temas: Racismo, pobreza, marginalização, exclusão social.

 

Se a Rua Beale Falasse – James Baldwin (EUA)

Sobre: Embora James Baldwin seja um homem, este romance inclui um forte protagonismo feminino e aborda a luta de uma mulher negra para provar a inocência de seu noivo, falsamente acusado de estupro. A história reflete as injustiças raciais e o racismo institucional nos Estados Unidos.

Temas: Racismo, injustiça, amor, discriminação.

 

Hibisco Roxo – Chimamanda Ngozi Adichie (Nigéria)

Sobre: Adichie explora as tensões políticas e religiosas na Nigéria, centrando-se na vida de uma jovem que luta para lidar com a opressão familiar e social. Embora o foco não seja apenas o racismo, a obra oferece uma perspectiva africana sobre a colonização e as suas consequências sociais.

Temas: Opressão, liberdade, identidade, colonização.

 

Mulheres, Raça e Classe – Angela Davis (EUA)

Sobre: Nesta obra seminal, Angela Davis, ativista e acadêmica, examina as interseções entre racismo, sexismo e classismo, trazendo uma perspectiva feminista e antirracista ao debate sobre opressão e desigualdade nos EUA. Davis destaca o papel das mulheres negras na luta por justiça social.

Temas: Racismo, feminismo, classe social, luta antirracista.

 

Kindred – Octavia Butler (EUA)

Sobre: Um clássico da ficção científica, “Kindred” é a história de Dana, uma mulher negra que é misteriosamente transportada no tempo para o período da escravidão nos EUA. A obra reflete sobre a brutalidade do racismo e a conexão com o passado escravagista dos Estados Unidos.

Temas: Racismo, escravidão, identidade, história.

 

The Bluest Eye (O Olho Mais Azul) – Toni Morrison (EUA)

Sobre: Este romance de Toni Morrison retrata a vida de Pecola Breedlove, uma menina negra que cresce em uma sociedade racista e que internaliza os padrões de beleza branca. A obra é uma crítica feroz ao racismo, ao colorismo e à opressão de meninas negras.

Temas: Racismo, autoestima, beleza, infância, identidade.

 

Memórias da Plantação: Episódios de Racismo Cotidiano – Grada Kilomba (Portugal)

Sobre: Esta coletânea de ensaios da escritora e acadêmica Grada Kilomba discute o racismo estrutural e cotidiano com uma perspectiva pós-colonial. A obra aborda temas como a negação da história negra, o trauma colonial e a necessidade de reconhecimento da memória coletiva.

Temas: Racismo estrutural, colonialismo, memória, identidade.

 

Não serei eu mulher? – Bell Hooks (EUA)

Sobre: Um dos textos mais influentes do feminismo negro, bell hooks examina o impacto do racismo e do sexismo sobre as mulheres negras, argumentando que o feminismo branco falhou em abordar as experiências específicas de opressão das mulheres negras.

Temas: Feminismo negro, racismo, sexismo, interseccionalidade.

 

Dororidade – Vilma Piedade (Brasil)

Sobre: Não é só sororidade, é Dororidade, diz-nos Vilma Piedade. Aqui, ela luta com palavras: o que é, afinal, Dororidade? O que este conceito aprofunda no diálogo feminista? Vilma Piedade desenvolve, com sua força, com sua militância e com seu estilo autêntico, legítimo Pretoguês, um conceito que nasceu de sua intuição e se espalhou amplamente, tornando-se necessário. Será possível construir o Feminismo Interseccional Inclusivo? Não sem todos os tons de Pretas. Não sem compreender o que é Dororidade.

Temas: Feminismo negro, racismo, sexismo, interseccionalidade.

 

Famílias inter-raciais: tensões entre cor e amor Lia Schucman (Brasil)

Sobre: Como é possível que relações familiares permeadas de amor e consanguinidade sejam também violentas e repressoras do ponto de vista racial? Em um país onde um terço das relações matrimoniais se dá entre pessoas que se autoclassificam como sendo de raças diferentes, responder a essa pergunta é tarefa urgente para o avanço do combate ao racismo. Ao indagar se vínculos afetivos em famílias inter-raciais podem amenizar ou desconstruir o ideário racista nos indivíduos, Lia Vainer Schucman percebe que a raça não atua apenas como elemento organizador, mas também como uma categoria geradora de dinâmicas, discursos, conflitos e hierarquias intrafamiliares. É o caso, por exemplo, dos Alves: apesar de João se considerar negro, Valéria não reconhece a identificação do filho, negando a origem e a presença da negritude na família. Assim, a mãe reproduz e legitima o racismo no qual foi socializada, ainda que haja amor em sua relação. Além desta, mais quatro famílias oferecem relatos comoventes e deixam entrever ora um profundo sofrimento, ora lampejos de consciência racial ativa e coletiva, demonstrando que o espaço familiar pode tanto ser um lugar de enfrentamento da violência, como de sua perpetuação. Das entrevistas também emergem conceitos muito debatidos nos estudos sociológicos e na antropologia ― as máscaras brancas de Fanon, a dupla consciência de Du Bois ― que, aliados à abordagem psicossocial de Schucman, permitem compreender não só a sociedade brasileira, embasada no mito da democracia racial, como a ideologia do embranquecimento e os impactos disso na subjetividade das pessoas. Vê-se também a dificuldade de classificação racial e o lugar de fluidez do mestiço, este que raras vezes tem sua subjetividade pesquisada. Famílias inter-raciais é um estudo corajoso e acessível por sua linguagem e sensibilidade. Ao abrir a porta da casa de cada família, escancara o que no debate público já há muitos anos se diz: a formulação de mais estratégias de enfrentamento ao racismo é fundamental para combater a desigualdade e a crise social no Brasil.

Temas: Branquitude,  enfrentamento ao racismo.

 

Entre o encardido, o branco e o branquíssimo: Branquitude, hierarquia e poder na cidade de São Paulo  Lia Schucman (Brasil)

Sobre: Este livro foi um dos responsáveis por tornar o termo “branquitude” conhecido no Brasil. Se concordamos que a “linguagem é a consciência real, prática”, o que a Lia Vainer Schucman faz ao destacar este termo em seu livro Entre o Encardido, o Branco e o Branquíssimo, de 2014, foi uma pequena revolução. A partir de suas pesquisas em São Paulo, a autora desvela a maneira como se constrói o privilégio branco no Brasil contemporâneo. Depois de anos, finalmente este livro tão influente ganha uma nova edição, com um novo prefácio, de Antonio Sérgio Alfredo Guimarães, professor do departamento de Sociologia da USP.

Temas: Branquitude,  privilégio branco no Brasil contemporâneo.