Encontro de março/2025
Link para videoconferência: https://meet.google.com/eia-gadq-fnp
Obras do segundo encontro:
1 – Abertura
2 – Poema
Poema de Davison Souza. “É filho do seu José e da dona Maria, nascido na periferia de fortaleza, Pretagogo é formado em pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará, pesquisador em educação antirracista, educação popular e política de cotas raciais. Atualmente cursa o Mestrado Acadêmico Intercampi em Educação e Ensino (MAIE-UECE). É artista e ilustrador digital, formado nos “corres” da vida. Expõe sus artes na página do Instagram @pretart, em que dialoga sobre corpos negros e seus diversos atravessamentos na sociedade racista do Brasil. É o autor do livro Cota não é esmola: as cotas raciais na UECE, que carrega o selo da editora Mirada.”
SOUZA, Davison. Eu não devo nada a branquitude a branquitude é quem me deve. 2023. Revista eletrônica Miradas. ISSN 2675.4819. Disponível em: https://www.miradajanela.com/2023/12/eu-nao-devo-nada-branquitude.html#:~:text=Davison%20Souza%20Featured-,Eu%20n%C3%A3o%20devo%20nada%20a%20branquitude%2C%20a%20branquitude,quem%20me%20deve%20%7C%20Davison%20Souza&text=EU%20SOU%20COLETIVO!. Acesso em: 17 mar. 2025.
EU NÃO DEVO NADA A BRANQUITUDE
A BRANQUITUDE É QUEM ME DEVE
Tentam silenciar nossos corpos
Os espaços herdados pela branquitude
Naturalizados
Meu dissidente-corpo
Como navalha
Ingressou na brancura posta
E foi alvejado
Como Emicida
Eu proclamo:
“Eles querem que alguém
Que vem de onde nós vem
Seja mais humilde, baixe a cabeça
Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda”
Eu não esqueci
Minha memória insiste em lembrar
EU SOU COLETIVO!
Me acusam de ser neoliberal
I-N-D-I-V-I-D-U-A-L-I-S-T-A
Meu chapa,
De onde eu vim
A comunhão não nasce da branca-academia
Nasce com o filho da periferia
Comunismo na favela é a multiplicação de peixes e pães
Configuram o meu corpo como rígido
Tentando controlá-lo com palavras coloniais
Apontam minha existência nesse espaço
Como um favor concedido
Mas aqui eu não entrei…
Subverti esse espaço com meu corpo-ginga
Me disse que no Brasil
“O racismo no Brasil é diferente dos Estado Unidos
Lá o negro tem uma arma apontada na frente
Aqui, uma arma apontada nas suas costas”
Discursou para mim e atirou:
POU POU POU POU
Aqui, o racismo é polissêmico
Há armas apontadas em todas as direções
Na maioria das vezes, não se sabe
De onde o tiro veio
Mas falarão:
“FOI BALA PERDIDA, IRMÃO”
Suas brancas-palavras tentam amarrar meu corpo
Alma
Mente
Como as correntes de outrora
Mas nesse solo a (re)existência sempre se fez fértil
Nasce como uma flor
No branco-lixão-colonial
Brotando como a esperança do corpo-amarrado
Pelo branco-discurso
De quem sempre quis me ver de cabeça baixa
Limpando, cozinhando, servindo…
Meus ancestrais sopram no meu ouvido
“Eu já morri tantas antes, de você me encher de bala”
(RE)NASCI (Emicida)
Vindo como os meus ancestrais
Na calunga me banho com lágrimas-pretas
Subverto a lógica do opressor
Para que não mais passe em branco
E anuncio:
Eu não devo nada a branquitude
A branquitude é quem me deve.
3 – Obra Principal
O Pacto da Branquitude – Cida Bento (Brasil)
Informações sobre a autora:
Maria Aparecida da Silva Bento, conhecida como Cida Bento, é uma psicóloga e ativista brasileira, diretora e a cofundadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), que atua na redução das desigualdades raciais e de gênero no ambiente de trabalho. Desde o seu doutoramento dialoga com a temática da branquitude e a formação da sociedade brasileira. Suas contribuições versam sobre a necessidade de pensá-la por meio das implicações individuais e coletivas, sobretudo de pessoas brancas privilegiadas em uma sociedade permeada pelas violências raciais. (Wikipedia)
Neste livro poderoso, Cida Bento ― eleita em 2015 pela The Economist uma das cinquenta pessoas mais influentes do mundo no campo da diversidade ― denuncia e questiona a universalidade da branquitude e suas consequências nocivas para qualquer alteração substantiva na hierarquia das relações sociais. Diante de dezenas de recusas em processos seletivos, Cida Bento identificou um padrão: por mais qualificada que fosse, ela nunca era a escolhida para as vagas.
O mesmo ocorria com seus irmãos, que, como ela, também tinham ensino superior completo. Por outro lado, pessoas brancas com currículos equivalentes ― quando não inferiores ― eram contratadas. Em suas pesquisas de mestrado e doutorado, a autora se dedicou a investigar esse modelo, que se repetia nas mais diversas esferas corporativas, e a desmistificar a falácia do discurso meritocrático. O que encontrou foi um acordo não verbalizado de autopreservação, que atende a interesses de determinados grupos e perpetua o poder de pessoas brancas. A esse fenômeno, Cida Bento deu o nome de “pacto narcísico da branquitude”.
Ela reúne sua experiência para apresentar evidências desse acordo tácito e nos convidar a deslocar nosso olhar para aqueles que, a fim de se manter no centro, impelem todos os outros à margem.